Algumas vezes, normalmente em vezes que não me conhecem muito bem, quando vou dar palestras em cidades do interior, convidam algumas autoridades para a platéia ou para a mesa de debates. O prefeito, alguém da prefeitura, algum vereador, juiz, promotor etc. Nessa vez, convidaram um juiz da cidade, um juiz federal. Lá estava ele sentado na primeira fila. Paradoxalmente, na última fila estava uma galera com a bandeira da Marcha da Maconha. A minha palestra era sobre política de drogas. Quando começou, disse que ia falar em homenagem ao pessoal da marcha que estava ali para me assistir e, durante a minha fala, contei dos processos que respondi no CNJ durante vários anos, da dificuldade de trabalhar tendo que me defender de acusações que eu achava injustas. Falei também da irracional, assassina, violenta e injusta política de guerra às drogas, que é pior do que qualquer modelo de descriminalização possível. Mas, tudo bem, terminada a palestra, quando começam aquelas fotos, disse que a primeira foto seria com o pessoal da marcha. Então eu desci de onde estava a mesa da palestra e me encaminhei até o pessoal da marcha. No caminho, passei pelo juiz federal que disse assim: - cuidado com essa foto, heim, pode te dar mais um CNJ. Bati no ombro dele e disse, tranquilo, colega, pode deixar. Tirei a foto e, depois fui tirar outras com os amigos que, por gentileza, sempre pedem para tirar fotos comigo. Em determinado momento, o organizador do evento, chamou para aquela foto tradicional, do palestrante com os organizadores e chamou o tal juiz para a foto também. Talvez sim, talvez não, por coincidência colocaram o juiz do meu lado para tirar a foto. Aí não resisti, disse no ouvido dele: - cuidado com essa foto, heim, pode te dar um CNJ.
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