Lilia Schwarcz

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Espelho

@LiliaSchwarcz

historiadora e antropóloga

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São Paulo / SP liliaschwarcz.com.brIngressou em maio de 2026
Desde que incorporei o termo #TODES ao meu vocabulário, percebo um incômodo exagerado. Antropologia é entender e respeitar a lógica do outro. Por isso, é essencial que em uma sociedade heteronormativa, TODAS, TODOS e TODES politizemos e revisemos nossos termos. #GeneroNeutro
Na @folha, Lula aparece em meio a uma vidraça estilhaçada, revelando fragilidade. Há um tiro na altura do coração do presidente ressoando o suicídio de GV. Imagens assim resultam em prêmios e chamam atenção. Porém, omitem a mentira que elas carregam.
“SEM ANISTIA” deve incidir também nos militares envolvidos na tentativa de golpe para que possamos seguir em frente com um Brasil democrático e republicano. O lema da pacificação não pode ser feito na base do esquecimento. O trauma do passado sempre volta na agenda do presente.
Eles são os verdadeiros patriotas da democracia. Aqueles que constroem e não destroem. Aqueles que simbolicamente limpam a sujeira do autoritarismo e do fascismo. A eles e elas meu muito obrigada — e com emoção.
Eu diria, pois, que os verdadeiros e verdadeiras patriotas diante dos episódios de vandalismo do dia 8 de janeiro foram aquelas e aqueles que logo no domingo limparam os palácios de Brasília, assim como choraram diante da destruição que lá encontraram e viram.
Patriotismo são os atos verdadeiramente a favor da saúde da nação. Aqueles que investem na democracia e no bem estar de todos e todas. Mas existem atos só de “patriotada”. Esses são atos que falam em nome da “pátria” mas na verdade a sabotam, atacam as instituições.
Ernesto Araújo só sabe mentir. Mentiu quando disse que não fez guerra ideológica com a pasta das relações exteriores que liderava, e entregou Pazuello para o sacrifício ritual. Quando o barco vai afundar os ratos se fantasiam de gatos para se livrarem do sufoco. Não funciona
Hoje é dia de aniversário de Lima Barreto, dia da revolta de Carrancas promovidas por escravizados em Minas, dia dos Pretos Velhos nas religiões de matriz africana e dia da abolição formal da escravidão. Uma lei tão curta como conservadora. 13 de maio é de fato um dia para pensar
Eu não entendo como a imprensa noticia o nome do policial morto na chacina de ontem, mas não o nome das 24 demais pessoas assassinadas. Essa é a dupla morte: a física e aquela da memória.
No século XIX a polícia prendia pessoas negras nas cidades por “suspeita de escravo”. Esse e o termo. Hoje por suspeita do quê. E não prendem não, matam. É difícil, mas pioramos!
Acaba de falecer o grande pensador Leôncio Martins Rodrigues. Ele foi pioneiro nas pesquisas de sociologia do trabalho e depois fez a ponte com a ciência política trabalhando com partidos. Léo era bom de papo, curioso é generoso. Vai fazer falta nesse tempos anestesiados.
Abre no domingo, dia do trabalho. A exposição Enciclopédia Negra. No livro são 36 obras, na exposição mais de 100. A exposição fica aberta até 11 de novembro. É preciso se inscrever lá na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Nesse sábado abre a exposição “enciclopédia negra” na pinacoteca de São Paulo. No dia 1 de maio, dia do trabalho. São mais de 100 retratos feitos por artistas negras, negros e negras. A exposição fica aberta até o começo de novembro. Não percam não.
Na foto, Bolsonaro, sem máscara, está ladeado de homens de meia idade na maioria brancos. Rindo, mostram placa de “CPF cancelado”; usada em reuniões de policiais e grupos de extermínio, quando alguém é assassinado por outro membro ou facção. Riem de nós. Vergonha!
É hoje a live com Jeferson Tenorio. Mandem questões lá no meu Instagram. Vai ser uma conversa especial sobre literatura, decolonialismo, racismo, desigualdade, sobre ensino, desigualdade e mais literatura. Quero muito conversar sobre as obras do Jeferson.
Hoje tem lançamento da enciclopédia negra com os três autores — Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lília Schwarcz — e com mediação da Djamila Ribeiro. Hoje às 19. Até já
Nessa segunda entrevisto Flávia Lima que fez ciências sociais na Usp e direito no Mackenzie mas enveredou pelo jornalismo. Ela é ombudsman na Folha desde 2019. Vamos conversar lá no meu Instagram às 18 horas. Até já
3158 vidas de brasileiros e brasileiras desperdiçadas. Quando é que vamos coletivamente chorar nossos mortos e assim homenageá-los? Dizem os Ianomâmi que aqueles que não cuidam da morte não sabem lidar com a vida. Minha solidariedade às famílias enlutadas.
Pode confundir Amazonas com Amapá? O Ministro Pazuello faltou na aula de geografia e de logística também. Mandou 78 mil doses para o Amapá e 3 mil para o Amazonas. Parece comédia mas é drama mesmo.
Damares Alves e Ernesto Araújo fazem papelão em reunião da ONU criando falsa dicotomia entre liberdade de expressão e uso de vacina e máscara. Com a derrota de Trump só nos resta estreitar relações com países sinistros nas relações humanas como: Hungria, Polônia e Arábia Saudita.
Nem todos tiveram seu carnaval cancelado. O presidente aproveitou para promover aglomeração, andar de jet ski, e fazer mergulho nas águas de Santa Catarina. Só faltou o tubarão branco
Muito reveladora a festa do novo presidente da Câmara: Arthur Lira. Dentre os convidados basicamente não há negros e todos se divertem sem máscaras. Mais ao fundo estão os trabalhadores; todos com máscara e muitos deles negros. Brasília é o Brasil.
A pergunta que não quer calar é por que Maia pode considerar abrir processo de impeachment hoje, no último dia de sua gestão, e ficou tanto tempo sentado naqueles que recebeu? É o famoso: ser ou não ser! Vai sair desmoralizado.
Nessa segunda tenho a honra e alegria de inaugurar minhas lives de 2021 com Vera Iaconelli que é psicanalista, Mestre e Doutora em Psicologia pela USP, Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, Diretora do Instituto Gerar.
Amanhã é dia! O presidente joga todas as cartas (e faz a famosa política do “é dando que se recebe”) para que Arthur Lira seja eleito presidente da Câmara e tranque os pedidos de impeachment que se acumulam bem como os processos contra a família Bolsonaro. Nova velha política!
Com quanto chiclete e leite condensado se faz um governo (enquanto a oposição não faz nada)? Temos um governo que faz política de escárnio e uma oposição que faz política de cordeiro. Deu empate?
Em 1918, comerciantes embusteiros tentaram emplacar sal de quinino — cloroquina — contra a gripe espanhola. Não deu certo e nenhum governante caiu nessa esparrela. Hoje, o presidente populista do Brasil e seu general assecla tentam o mesmo, mas como garotos propaganda. Pioramos!
Estado de defesa é um dispositivo constitucional de exceção, para o caso de grave crise pública. O espanto é que não há nada que chegue perto dessa necessidade no país. O que existe são pedidos de impeachment culminando na inação do governo dentro do colapso da Amazônia.
Disse o general na pasta da (falta de) saúde: “ontem é passado coisa de historiador”. “Coisa de historiador” é falar a verdade e não omitir — o que fez Pazuello. E história mostra como o presente está cheio de passado. Herdamos do passado, dentre outros, o bolsonarismo
O presidente usa e abusa da inversão de conceitos. Agora quer defender que não existe racismo no Brasil e que essas são ideias vindas do exterior que querem acabar com nossa “liberdade”. Qual liberdade mesmo? De assassinar uma pessoa negra? Isso se chama falta de respeito!
Mourão “não vê racismo” na morte de Beto Freitas, como era chamado antes de ser brutalmente assassinado; a delegada que julga o caso também “não vê racismo”: essas declarações são provas de miopia cultural e de como só “enxerga quem quer ver”.
Hoje tem lançamento de “A bailarina da morte”. Natália Paternak, Heloísa Starling e eu conversamos sobre a gripe espanhola de 1918. O passado nunca lembrou tanto o nosso presente. Até já!
Desinformação só atrapalha. Em 1904 estourou uma revolta por falta de informações do governo. Achava-se que, como a vacina era inoculada no gado, todos ficariam com cara de bovinos. Agora vivemos essa politização dos lugares de origem da vacina; pouco importa! Haja paciência...
A gente percebe quando um presidente republicano perdeu qualquer noção de ética, política e moral (democracia não entra na conta de Trump) quando até a TV Fox não o apoia.
Em reunião da Comissão Permanente LGBT nesta quinta (22), representantes do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e do Itamaraty disseram ser “inaceitável” um documento que mencione “identidade de gênero”. Esse governo não é conservador, é um retrocesso.
Cabe a um presidente dar um “ponto final” sobre a vacinação obrigatória? Se tivéssemos um Ministro da Saúde (não temos) ele sim devia opinar com base na ciência. Em 1904 um presidente quase caiu por conta da revolta da vacina. Faltava informação no passado e no presente também.
Hoje tem artigo novo no Nexo sobre o conceito de “maiorias minorizadas” que usei no Roda Viva do dia 7 de setembro. Pretos e Pardos correspondem, segundo o IBGE, a 56,1% da população. Mas não tem participação proporcional. Por isso são “maiorias memorizadas na representação”.
Dos 22 ministros do governo Bolsonaro, 9 são militares. Todos formados no laboratório do Haiti. Foram para lá dizendo que iam acabar com uma guerra, que não existia. De lá voltaram com a nostalgia de um Brasil militar salvacionista que nunca existiu. (Veja mais no Roda Viva)
Lugar de fala diz respeito a minorias — negros e negras, indígenas, ribeirinhos, mulheres, quilombolas — que são maioria na população. Mas são “maiorias minorizadas na representação”. (Ontem no roda viva).