Hoje, 13 de maio de 2026, a Lei Áurea completa 138 anos. É a data da falsa abolição. Mas também é dia de honrar a luta negra, que nunca aceitou a escravidão passivamente.
Abolição não foi presente. Foi conquista. Forjada por quilombos, revoltas, fugas coletivas, jornais negros, irmandades, greves. Pela coragem de gente que desafiou o regime escravocrata todos os dias.
Gente como Luiz Gama, Esperança Garcia, as ganhadeiras - mulheres negras, escravizadas e libertas, que trabalhavam para comprar alforrias. E tantos outros que pressionaram nos corredores do poder. A liberdade já estava sendo construída muito antes da assinatura de uma lei.
A Lei Áurea aboliu a escravidão no papel. Mas manteve intacta a estrutura que sustentou mais de 300 anos de exploração do povo negro.
Não houve reparação. Não houve terra. Não houve moradia. Não houve educação. Não houve política pública nenhuma. Pelo contrário, depois de séculos gerando riqueza para senhores, bancos e para o Estado, pessoas negras foram abandonadas à própria sorte. Em um país organizado para seguir explorando seus corpos e seu trabalho.
As provas estão por toda parte. A escala 6x1 é uma delas. Assim como os escravizados, até hoje os descendentes deles e as pessoas pobres têm só o sétimo dia para "descansar".
E vai além. Em 2025, o Brasil resgatou 2.772 pessoas em condições análogas à escravidão. A maioria, negra. O trabalho precarizado, vendido como "empreendedorismo", é a lógica escravocrata atualizada.
E as provas se multiplicam. É a polícia que nos mata. O Judiciário que nos prende por nada. A universidade que não suporta nossa presença. É o racismo cotidiano, sistêmico, estrutural. É a fome. A miséria. O drogadicídio que atinge nossa gente.
É também o racismo ambiental: 67% das pessoas em áreas de risco no Brasil são negras. A população negra respira 38% mais poluição que a branca.
As elites de 1888 seguem vivas. São as mesmas que tentam impedir qualquer avanço que tire o trabalhador da subalternidade e da exploração.
Por isso, o 13 de maio não é celebração. É dia de memória, denúncia e compromisso com a luta do povo negro. Uma luta que atravessa séculos e segue viva. Pela reparação, pelos direitos, pela dignidade e pelo bem-viver da nossa gente.
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