Seis meses após a ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, o cenário é de impunidade e de uma política de segurança que prioriza o espetáculo da morte em detrimento da justiça e dos direitos fundamentais.
Enquanto 122 mortes deixam um rastro de dor nos complexos da Penha e do Alemão, a falta de transparência impera: a Defensoria Pública segue sem acesso às imagens das câmeras, e agentes são denunciados por manipular equipamentos e invadir domicílios. O caso de Douglas Christian, baleado e algemado em um leito de hospital mesmo sem provas de crime, ilustra como o Estado transforma trabalhadores em alvos descartáveis para alimentar índices de aprovação eleitoral.
O combate ao narcotráfico não pode ser um salvo-conduto para o extermínio, e a ausência de respostas seis meses depois apenas confirma que, nas periferias, o braço armado do Estado chega antes do que a dignidade e o devido processo legal.
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