Licença-paternidade é uma realidade, mas como isso também é política para mulheres?
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1. A ampliação da licença-paternidade não é só sobre os pais, é sobre redistribuir o cuidado, que historicamente sempre recaiu sobre as mulheres.
2. No Brasil, a desigualdade no mercado de trabalho está diretamente ligada à sobrecarga do cuidado. É a lógica da chamada divisão sexual do trabalho: homens produzem, mulheres cuidam.
3. Quando o Estado amplia a licença-paternidade, ele mexe nessa estrutura. Cria condições reais para que o cuidado seja compartilhado desde o início da vida da criança.
4. A nova lei amplia o tempo de afastamento e cria o salário-paternidade, reconhecendo que cuidar também é trabalho, e precisa de proteção social.
5. Isso impacta diretamente a vida das mulheres. Porque uma das maiores barreiras para a contratação e permanência feminina é a maternidade.
6. Se o cuidado deixa de ser “problema só das mulheres”, o mercado também precisa deixar de penalizá-las por isso.
7. É assim que políticas de cuidado viram política econômica: mais mulheres trabalhando, com mais estabilidade e autonomia.
8. Não existe igualdade no mercado sem igualdade dentro de casa. E não existe justiça social sem reconhecer que cuidar é central para sustentar a vida e a economia.
9. Licença-paternidade ampliada é avanço. Mas ainda precisamos de mais: creches, proteção às mães solo, jornada justa e valorização do trabalho reprodutivo.
Cuidar não é ajuda. É responsabilidade.
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