O governo brasileiro decidiu revogar o visto de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos e aliado político de Donald Trump, que viria ao país e pretendia visitar Jair Bolsonaro na prisão da Papuda, em meio à crescente escalada de pressões externas sobre instituições brasileiras. A medida ocorre em um contexto em que os Estados Unidos cancelaram, há meses, os vistos de familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, incluindo sua esposa e sua filha de 10 anos, e até hoje não revogaram essa decisão, um gesto diplomático grave e desproporcional.
Beattie também é conhecido por declarações extremistas. Em outubro de 2024, publicou que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem. Infelizmente, toda a nossa ideologia nacional se baseia em mimar os sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos competentes.” Ele já foi demitido do governo Trump por participar de evento com figuras do nacionalismo branco associadas a correntes históricas do supremacismo racial nos EUA, incluindo ambientes políticos ligados à Ku Klux Klan (KKK).
Ao mesmo tempo, aliados de Trump voltaram a falar publicamente na possibilidade de aplicar a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, instrumento de sanções unilaterais usado para bloqueios financeiros e restrições internacionais. Diante desse cenário, a resposta brasileira reafirma princípios básicos das relações entre Estados como soberania, respeito e reciprocidade. O Brasil dialoga com todos, mas não aceitará pressões externas e nem tentativas de constranger suas instituições democráticas.
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