Eu quero repudiar veementemente o ato lamentável protagonizado por uma deputada estadual do Ceará que subiu a tribuna daquela casa de leis e rasgou simbolicamente o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.
Não podemos jamais confundir o púlpito com o palanque.
Rasgar um papel é fácil. Difícil é olhar nos olhos das mães que perderam suas filhas e dos filhos que perderam as suas mães.
Difícil é explicar por que, em média, no Brasil, uma mulher é assassinada cada 6 horas.
Difícil é ignorar que a maioria dessas vítimas é a mulher negra, pobre e periférica.
É importante que essa parlamentar entenda que o pacto contra o feminicídio não é ideologia. O pacto é proteção. É articulação entre governos, justiça e sociedade para salvar vidas.
Nesse sentido, quero parabenizar o presidente Lula e a primeira-dama Janja por idealizarem e apresentarem o Pacto Nacional contra o Feminicídio, pois é uma iniciativa firme que une governos e sociedade para proteger vidas, enfrentar a violência de gênero e garantir dignidade e justiça às mulheres brasileiras.
Por isso, rasgá-lo não atinge partidos ou instituições — atinge as mulheres que pedem socorro.
Nós, que defendemos a vida, não vamos rasgar políticas públicas. Vamos fortalecê-las.
Vamos cobrar recursos, ampliar delegacias especializadas, casas-abrigo, prevenção e educação.
Porque enquanto alguns fazem espetáculo, nós fazemos política pública.
Enquanto alguns rasgam papéis, nós estendemos a mão.
Como mulher e evangélica, eu tenho a minha religião, você que está lendo esse texto também tem a sua (ou não), mas é preciso lembrar que o Estado brasileiro é laico e, por isso, política pública se faz com direitos e políticas de proteção e não com imposição religiosa.
O combate ao feminicídio não é bandeira partidária. É compromisso civilizatório. E desse compromisso, nós não abriremos mão!
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