Não é otimismo, galera. Eu deixei de ser otimista em 2022. E vou dizer como.
No primeiro turno eu estava com o Lula assistindo a apuração num hotel em São Paulo. Votei, peguei uma ponte aérea e fui um dos primeiros a chegar na sala onde aconteceu a apuração. Estava só eu, Lula, Janja e os netos. Passamos o início da tarde rindo, brincando, Lula estava com um humor contagiante. Encerraram a votação e começou a contagem dos votos. Nessa hora foram chegando os demais integrantes do PT e de outros partidos. Não lembro exatamente a hora exata, mas pouco antes de divulgarem que haveria segundo turno, entraram uns estatísticos na sala e informaram: ó, presidente, vai ter segundo turno.
As boas feições e os risos constantes do Barba mudaram drasticamente, eu olhei pra ele e perguntei: e agora, presidente, vamos levar no segundo turno? Ele me respondeu serião: não sei, mas vamos trabalhar pra isso.
Aquele “não sei” me quebrou. Eu estava recebendo mensagem de todos os meus amigos perguntando qual foi a reação, como estavam os ânimos e eu, incapaz de esconder o desespero, percebi que essa função de ser o otimista em tempos difíceis não é pra mim. Tomei a frase do homem pra mim, respondi pra rapaziada: só temos uma saída agora, que é trabalhar pra ganhar o segundo turno.
Os tempos de esquerda me deixaram calejados já, infelizmente não tenho mais aquela propensão de bobo alegre que trará esperança. O que eu vejo, pro futuro, é que assim como em 2022, vamos ter que colocar nossa camisetinha escrito PT, segurar nossa bandeira. Vamos ter que vestir a skin lendária do extremo-lulismo pra vencer bem essa eleição, sem otimismo, apenas trabalho. São as palavras do homem.
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