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Glauber_Braga
A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil é um marcador profundo de injustiça social e de gênero. De acordo com o Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2025, as mulheres recebem, em média, 20,7% a menos do que os homens no mercado de trabalho formal. Essa disparidade é acentuada pela herança de um modelo econômico marcado pelo machismo estrutural e por uma lógica patriarcal, que desvaloriza o trabalho das mulheres, mesmo quando as mulheres apresentam níveis de escolaridade superiores aos dos homens, conforme demonstram os indicadores da PNAD Contínua do IBGE. Esse cenário se agrava quando analisado sob o recorte racial: dados do mesmo indicador mostram que mulheres negras recebem, em média, pouco mais da metade da renda auferida por homens brancos, evidenciando a sobreposição entre desigualdades de gênero e raça. Em vez de enfrentar essa realidade estrutural, a ofensiva ideológica da extrema direita tem adotado posições que relativizam mecanismos de combate a essa disparidade, como a Lei nº 14.611/2023 (Lei de Igualdade Salarial). Durante o governo de Jair Bolsonaro, por exemplo, foram defendidas posições contrárias ao endurecimento e responsabilização contra empresas que discriminam salarialmente mulheres, sob o argumento de que isso poderia dificultar sua contratação, uma lógica que relativiza a desigualdade e desloca a responsabilidade para as próprias trabalhadoras. Combater essa injustiça exige mais do que a existência formal de leis: requer sua aplicação efetiva, com fiscalização rigorosa, transparência salarial e responsabilização das empresas que perpetuam a desigualdade. Ao desvalorizar o trabalho feminino e minimizar o impacto da jornada dupla, expressa na sobrecarga do trabalho em escalas como a 6x1 e nas responsabilidades de cuidado, reforçam-se dinâmicas que mantêm desigualdades históricas e limitam o acesso das mulheres a melhores condições de vida. Romper com essa realidade é uma necessidade concreta para pôr fim a um sistema que naturaliza a desigualdade e transforma a exploração do trabalho das mulheres em regra.

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