O Sudeste volta a viver dias de medo e luto. Em Minas Gerais, as chuvas já deixaram mais de 50 mortos na Zona da Mata e milhares de pessoas fora de casa. Em São Paulo, ao menos 19 vidas foram perdidas desde o início do período chuvoso. No Rio de Janeiro, municípios da Baixada Fluminense, da Costa Verde, Região dos Lagos e Centro Norte Fluminense registraram acumulados superiores a 100 milímetros em 24 horas, com deslizamentos, alagamentos e centenas de famílias desalojadas. Não se trata de fatalidade isolada, mas de um padrão que se repete ano após ano, atingindo principalmente as periferias e áreas historicamente negligenciadas pelo poder público.
Os alertas do Instituto Nacional de Meteorologia e os dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais confirmam o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apontam que o aquecimento global está acelerando o ciclo hidrológico. Ou seja: o que vemos hoje é resultado direto da crise climática em curso.
Mas é preciso dizer com todas as letras: a crise climática tem responsáveis. O modelo capitalista baseado na exploração desenfreada dos bens naturais, no lucro acima da vida e na destruição ambiental está na raiz do problema. E a extrema direita, que nega a ciência, desmonta políticas ambientais e ataca o planejamento urbano e a proteção social, aprofunda ainda mais a vulnerabilidade. Enquanto seguirem defendendo interesses de grandes poluidores e tratando a emergência climática como exagero, continuaremos assistindo à repetição de tragédias evitáveis. Justiça climática é enfrentar o aquecimento global e também o sistema que o produz.
#AscomGlauber
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