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ErikakHilton
Nos últimos tempos, pessoas odiosas, até mesmo algumas que dizem ser de "esquerda" ou "feministas", andam dizendo que a transfobia está autorizada porque ela vem de uma "crença pessoal". Isso é uma completa farsa. A transfobia é um crime, equiparado pelo STF ao crime de racismo. E vejam só: os racistas, os xenófobos, os misóginos, os red pill e os supremacistas também têm "crenças pessoais". E o nosso Estado criminalizou essas "crenças pessoais" quando elas se transformam numa diarreia bucal ou em atos de violência, discriminação, preconceito e desumanização. Isso é necessário para manter, minimamente, o nosso pacto social baseado na igualdade e dignidade humana. Mas quando o assunto somos nós, pessoas trans, escolhidas como as inimigas da vez, muita gente acha que esse pacto pode ser rompido. Que a nossa existência, dignidade e identidade estão abertas ao debate. E, assim como fizeram pra dizer se negros tinham inteligência, se judeus eram humanos ou se criança era gente, pegam a tabelinha de características biológicas e, com ela em mãos, querem dizer quem o outro é. Querem definir se eu, por exemplo, sou mulher ou não. Isso é aberrante por si só. Mas, caso você não tenha estudado o mínimo de história, deixa eu te falar: é muito fácil pegar a tabelinha de características biológicas. Difícil é guardá-la e parar de criar requisitos pra conferir ao outro o direito de ser. É fácil começar dizendo que mulheres trans não são mulheres. Extremamente fácil. Difícil é impedir quando decidirem voltar a dizer que mulheres são definidas pela capacidade de reproduzir e que, se uma mulher é definida pela capacidade de reproduzir, ou ela reproduz ou ela é menos gente. Nesse trecho da conversa que tive com o @BreAlt, do @OperaMundi, falo um pouco de uma fracassada eternamente ressentida com a minha existência, e sobre o porquê a processei. E seguirei processando quem é incapaz de conviver minimamente com a minha existência.

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