Tatiana Sampaio é uma verdadeira heroína.
Não pela Polilaminina em si, que torço profundamente pela eficácia e pra que tenha sucesso em todas as fases de testes.
Mas por Tatiana, ao longo de cerca de três décadas, fazer ciência num país que vira as costas para seus cientistas.
Um país que os chama de bolsistas e nega seus direitos trabalhistas.
Um país dominado por uma Faria Lima que exige, todos os anos, os mais profundos cortes no orçamento da educação, ciência e tecnologia.
Um país ameaçado, por um agronegócio imediatista, de se tornar uma economia puramente extrativista, sem complexo industrial da saúde ou pesquisa científica.
Um país com políticos cada dia mais fundamentalistas que, por pura sorte, não estão atacando o uso de placentas na produção da Polilaminina.
Um país em que, todo ano de eleição, as universidades que produzem nossa ciência são atacadas com discursos moralistas e privatistas de gente extremista.
Isso é só um pouco do que Tatiana Sampaio e tantos outros pesquisadores enfrentam todos os dias para conseguirem fazer ciência no nosso país.
A perda da patente internacional da Polilaminina, que honestamente não me interessa se ocorreu no governo Dilma, engessado e desmontado pelo golpista Eduardo Cunha, ou no "governo" de Michel Temer, é uma lástima.
Mas o que deve nos interessar agora é o que faremos de diferente frente a esse erro grotesco, da nossa ciência não ter recursos nem pra renovar uma mísera patente.
O que deve nos interessar é como vamos alinhar esse nosso interesse nacional no avanço rápido da Polilaminina com os processos rigorosos, e extremamente necessários, da Anvisa.
O que deve nos interessar, comprovada a eficácia do medicamento, é o fornecimento da Polilaminina no SUS.
A nossa classe política já teve outras chances de valorizar a nossa produção científica, como na pandemia. Infelizmente, ao invés de investimento, ganhamos kitzinhos com ivermectina e cloroquina.
Que, dessa vez, seja diferente. Pois assim, a Polilaminina, funcionando ou não, pode mudar o nosso país pra melhor.
Tatiana Sampaio nos orgulha e nos inspira, e a sua pesquisa nos enche de esperança. O que faremos, enquanto nação, com esse orgulho e inspiração? E essa esperança, será passiva ou será uma força motriz pela mudança?
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