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ErikakHilton
Ontem, uma deputada fez blackface na tribuna da ALESP. E os jornais reportaram “deputada faz blackface para atacar Erika Hilton”. Sim, ela queria me atacar, mas a manchete não é 100% verdade. A deputada também fez isso porque ela queria cometer racismo na tribuna da ALESP. Ela pegou todo o histórico de crueldade, de dor, de luta e a própria identidade da população negra e disse que é o mesmo que uma tinta. Mas esse argumento dela, que a existência de mulheres trans é uma mentira comparável ao blackface, a uma tinta, e a nossa luta por dignidade e uma vida menos cruel é uma farsa, podia ser feito sem o blackface. Sim, continua sendo um argumento anticientífico, transfóbico, racista e criminoso. Mas ela QUIS fazer o blackface. Ela fez o que fez porque ela quis ofender. Porque, perto das eleições, ela quer ser lembrada. Ela quer ter um título. Ela quer ser a deputada que fez blackface. No momento em que o governo Tarcísio de Freitas, aliado dessa deputada, está simplesmente dilacerando o orçamento de defesa da vida das mulheres, ela precisa fingir que se importa com as mulheres. E, pra isso, ela atacou as mulheres trans e as pessoas negras. Tentou colocar algumas das pessoas que mais sofrem com a falta de políticas públicas umas contra as outras. No momento em que o povo está cobrando o fim da escala 6x1, o fim da misoginia nas redes, a redução do ICMS dos combustíveis e tantas outras coisas, resta à direita, que não quer nada disso, fazer um grande circo. Resta a eles serem criminosos. Falarem pro eleitor “olha, em tudo que melhora a sua vida, eu não vou poder te representar. Mas, se você quer piorar a vida das pessoas negras, das pessoas trans e das mulheres, ecoarei a sua voz!”. E ela queria o ganho político de ter um confronto comigo. Aqui, não funciona assim. Aqui, ela não terá nome, e seu único título será o de racista e criminosa. Mas atenção ela ganhou. Nos atentamos à sua documentação e descobrimos: a racistinha fez blackface no registro eleitoral. Ela é uma farsa ambulante que ajudou seu partido a cumprir as cotas de candidaturas negras e tirou o espaço de uma mulher negra, que ela mesma finge querer proteger. E isso, assim como o blackface, é crime. Um crime que causa perda de mandato e de direitos políticos. E é isso que estamos denunciando à Justiça Eleitoral. O objetivo dela era nos dividir e ter ganhos políticos. No fim, isso só nos uniu e mostrou que a misoginia, a transfobia e o racismo andam lado a lado. E nós também devemos andar lado a lado contra quem rouba nossos direitos.

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