Maria Luiza, filha de Daniele, uma mãe solo, emocionou o Brasil ao explicar o porquê sua mãe não viu sua homenagem de Dia das Mães.
E essa é a realidade em milhões de lares no Brasil.
Mães precisam trabalhar exaustivamente para criar seus filhos. Muitas vezes, na escala 6x1.
Mães precisam deixar de ver seus filhos crescerem para que seus filhos tenham as condições para crescer. Para que tenham comida na mesa e um teto sobre sua cabeça.
E a escala semanal de trabalho dessas mães, na verdade, não é nem a 6x1. É 14x0, é 21x0.
Essas mães fazem caber dois, três dias de trabalho, onde só há horas para um. Trabalham fora a semana toda pelo salário, e trabalham dentro de casa ininterruptamente nas funções de cuidado.
Quando finalmente chega o dia da "folga", não há tempo pra folga. Só há tempo para lavar a roupa, para fazer as compras, para pagar as contas, para cozinhar as marmitas e ajeitar tudo que podem para que, por mais uma semana, elas sobrevivam e seus filhos cresçam.
Isso é, sim, um elogio à força, à resiliência e aos milagres que as mães solo do nosso país operam todos os dias. Mas não podemos romantizar essa exaustão e aplaudir essa exploração.
São mulheres que estão trabalhando o dobro, o triplo, sem descanso algum enquanto exercem a maternidade. Enquanto tornam possível a própria continuidade da humanidade.
E a luta pelo fim da escala 6x1 é, também, para que as mães solo tenham mais tempo com seus filhos e os filhos tenham mais tempo com as suas mães.
Mas também é para que as mães solo do Brasil tenham mais tempo para si. Para que as mães solo do Brasil tenham tempo pro lazer, pra cultura, pra educação, pra sua religiosidade, pro ócio, pro descanso ou prum date.
O que nós, que lutamos pelo FIM da escala 6x1, queremos é que as mães possam estar presentes na vida de seus filhos, e que elas não sejam obrigadas a deixar de lado o próprio presente em nome do futuro de todo o país.
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